Pare de falar e comece a fazer
A campanha, da IBM, pode ser bem ruim. Mas o slogan é bom, muito bom. “Pare de falar e comece a fazer” descreve muito bem a personalidade de muitas pessoas, afinal, é muito fácil criticar as conquistas dos outros quando não se trabalha para conquistá-las. Ou quando se desiste fácil, muito fácil. Posso me considerar uma pessoa de muita sorte, afinal, conheço pouquíssimos faladores.
Durante os tempos do colegial, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, conheci muita “gente que faz”. Pessoas que, apesar dos mais diversos obstáculos, correram atrás e conquistaram muitas coisas, uma de cada vez. Acho que de todos os possíveis exemplos, o que mais me impressiona e emociona até hoje é a trajetória do Thiago Morte, que hoje completa 24 primaveras.
O Morte é assim conhecido por causa de um trabalho de “Artes Plásticas” (com a professora Nilza) que tivemos que realizar logo no primeiro mês de Liceu de Artes e Ofícios. Cada grupo deveria interpretar uma poesia. Não tenho a menor idéia de qual poesia que o meu grupo teve de recitar, mas me lembro como se fosse ontem do Thiago Lisboa recitando os versos de “A morte”, de Vinícius de Moraes:
A morte vem de longe / Do fundo dos céus / Vem para os meus olhos / Virá para os teus / Desce das estrelas / Das brancas estrelas / As loucas estrelas / Trânsfugas de Deus / Chega impressentida / Nunca inesperada / Ela que é na vida
A grande esperada! / A desesperada / Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens / Que inalam a morte
Por medo da vida
Por causa da voz grave e alta recitando “A morte vem de longe”, o apelido tornou-se inevitável.
E em uma turma de apenas duas garotas, e apelidos como “Rasgadeira”, “Anão”, “Boi”, “Saleiro” e “Moreninha” (não, eu não era a Moreninha), o apelido “Morte” até que não era tão ruim assim.
Pois o Morte estudou em escola pública e, de acordo com ele, não tinha aula. Os professores não faziam nada o dia inteiro e mesmo assim passavam os alunos de ano, simples assim. Bem Brasil.
Não me lembro como ele descobriu a existência de escolas técnicas, mas sem ter as aulas do ensino fundamental, seria bem difícil passar no concorrido vestibulinho. Assim sendo, ele correu atrás de um cursinho, estudou bastante, e garantiu sua vaga no Liceu.
Durante os três anos de Liceu ele enfrentou muitas dificuldades. Mas isso não foi o suficiente para fazê-lo desistir. Ele morava um pouco depois da minha casa, sempre pegávamos o mesmo ônibus (509J – Jardim Selma) então conversávamos bastante sobre a vida. Depois de nos formarmos no Liceu, cada um seguiu seu rumo, e ele foi para uma escola de aviação, concorrida, acho que da Aeronáutica. Conseguiu um bom emprego, continua estudando, e qual não foi a boa notícia quando fui convidada para o casamento dele!
Fiquei muito orgulhosa do Morte. Sou muito orgulhosa até hoje, ele é um grande exemplo de vitória e sucesso. Ele está bem, está feliz, é o primeiro papai da turma, e eu sei o quanto ele lutou e batalhou para chegar onde ele está. Parabéns Morte, você merece!



Cara, que honra!!! Mal posso esperar para ler as suas anedotas!!! Quero saber de todas as historinhas do “junior” !!!
Comment por Denise Neves Santos — Agosto 1, 2008 @ 5:08 pm